terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tratando-se do tempo - Parte II

Tratando-se do tempo... Comparando-o às formas de dominação (se já não for). Através dele, evoluímos aquilo que muitos nem podem chamar de lar. Criamos fortalezas impenetráveis com o discurso de: “Pra quê sair na rua?”. Para os que pensam assim, é melhor ver o mundo fantasiado por uma tela de tevê ou monitor de computador (incasável citação), conectados por uma linha que prende a vida e liberta a ilusão infinita. A partir disto achamos que somos intransponíveis. Nem percebemos que, muito pelo contrário disto, tornamo-nos mais vulneráveis ainda.
É complicado conversar com alguém que está tão próximo e ao mesmo tempo tão longe em um mundo individualista. O tempo nos impôs (como já dito na primeira parte) tantas regras intermináveis das quais cumprimos piamente cada um de seus intervalos.
Vestimos uma armadura protetora, seja virtual ou física. A “gata loira” (“amiga virtual”) que fala com você no chat é uma menina triste que varia de 10 a 99 anos. Ou um ninfomaníaco, um homossexual, um bissexual, transexual, um assexuado, um biassexuado. Ou um ser indeciso com outras características sexuais (tudo tem que ser relacionado com o sexo). Alguém pode gritar ao fundo: “que paranóia é esta?”. Eu respondo: “paranóia é o menino que nem sabe o que é um pinto, falar que é gay.” Cada um cada um. Não acho justificável, meninos que crescem sob influencias de meninos modais. 'Tendencialmente' conduzidos por gente que nunca viveu a vida para saber como ela pode ser. Não coloquemos em pauta a idade, nada quer dizer a mentalidade com a idade, só a certeza que ela amadurecerá cada vez mais, para cima ou para baixo.

Pulando para horários:
o relógio do prole é baseado na novela das seis, ou em qualquer outro programa de entretenimento que seja previsto para as seis. Quando ele chega do trabalho no meio do programa das sete é sinal de que produziu escalas maiores de esforço físico. Os proles estão regrados a andar na rua em determinados horários, depois deles, o individuo citado pode ser confundido com um bandido e tomar culpa pelo que nunca contribuiu diretamente. O do nobre é baseado nas horas altas dentro de um escritório. Quanto mais adentro da madrugada é sinal de dinheiro entrando. É difícil definir quem é mais feliz nestas duas genéricas histórias. É feliz ter e não conseguir usar (isso vale-se para a inteligência também). Ou aquele que não usa porque não desenvolveu?
Tudo que encara o esforço da conquista tem preços estipulados. Que no final curvam-se diante da disciplina instauradora do tempo.
Quando jovens (tempos saudosos) não podemos curtir os hormônios florescerem ou transparecerem. Os desejos ultramundanos ficam enlatados em estereótipos fundados e fundamentados.
Quando mais velhos, somos desmerecidos para estas práticas. dizem que são prazeres exclusivos dos mais novos. Concluindo: ficamos atrás do que nunca existiu, como justificativa para não ter feito o que desejamos ou desejávamos.

De todos os fatores que podem virar pestilências mundanas, aqui tratamos de apenas um: o tempo. Colocando em pauta algumas de suas mutações geneticamente manipuladas.
Se presenciarmos em vida a colonização de mais seiscentas mil civilizações inexploradas, teremos mais seiscentas mil civilizações temporais (temporais no sentido que se baseiem em tempos). Passado, presente ou futuro. Seríamos omissos se falássemos que todas as civilizações de outros tempos, não estão dentro do mesmo presente. A gente lê coisas do passado pensando no futuro. Vestimos roupas do futuro pensando no passado. Ouvimos sons do presente baseados em ruídos inauditos.
A igualdade parece querer mostrar suas faces. Não foi por isto que tanto lutamos? Todos hão de concordar que estamos “mais” organizados, “mais” planejados, “mais” ricos, “mais” saudosos e “mais” tudo o que se possa imaginar. No comparativo com o ontem estamos “mais” em todos os aspectos a não ser um: o de viver livre de qualquer impedimento.


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Hoje dois vídeos para dar mais ibope para o youtube (puta ferramenta legal).




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6 comentários:

coffee-break disse...

nossa armadura protetora... nossos relógios incansáveis alienados e alienantes... porém necessários!


não sei nem mais do que devo me libertar, o que devo aderir, o que devo ignorar ou criticar sem chegar ao ponto de ser hipócrita... nem sei se posso dizer ainda que sei, mas se eu puder acho que sei que nada vai me obrigar a deixar que isso se torne apenas isso...

nada será só nem pouco.
isso será alguma coisa da qual eu certemente irei me ocupar, pra sentir como quem vê de fora e não apenas de dentro.

"A gente lê coisas do passado pensando no futuro. Vestimos roupas do futuro pensando no passado. Ouvimos sons do presente baseados em ruídos inauditos."

muito bom! :)

marcelo cajui disse...

'nada será só nem pouco'
acho o mesmo.
é impossível passarmos pelo mundo sem ter participado de tudo.

'não sei nem mais do que devo me libertar'
eu tbem não. no fundo acho que nunca estivemos tão próximo e tão longe ao mesmo tempo.
Dizem que a maior liberdade é quando não temos um centavo no bolso. porém, não consigo ver minha vida assim. heheh.

Beijão.

Nydia Bonetti disse...

Tempos difíceis, estes em que vivemos. Muitos "mais", alguns "menos"... essenciais. Boa semana! Abraço.

Palatus disse...

Ciao, amico!

Tempo tempo vasto tempo, se eu não fosse o lamento, seria decerto o momento...Suas palavras neste post me fazem pensar; concluo que andamos em círculos e eu tal como muito estou "mais" velho, "mais" sem tempo para ver-me envelhecendo dignamente. A que isso se deve?

Agradeço a visita no Palatus. Gostaria de escrever mais, mas "mais" tempo é o que preciso.

Conheci "Desejos Mortos", salvo engano, através do 100fundamentos...volta e meia passo aqui para sair das banalidades...Um abraço,
jr

marcelo cajui disse...

É Nydia. pois como a própria palavra nos diz: eles são nossa essência.

marcelo cajui disse...

sem tempo para ver-me envelhecendo dignamente. A que isso se deve?

Ciao Nilson.
acho que estas incertezas são nossas mesmo. As vezes pensamos que não estamos atingindo os objetivos planejados, mas no fundo todos foram alcançados. É a velha insatisfação que nos faz querer ser melhor. afinal de contas os únicos animais que criam dúvidas são os homens.

O 100 Fmts é muito bacana. gostei de como o Thadeu fez a página dele.

volte quando quiser. Abraço.