Não digo que é um fim. Segundo a crença Kardessista, o desencarne significa apenas o desenlace da carne.
No últimos tempos, manter o D.M se tornou uma tarefa sem sentido. Parte dos desejos foram realizados, outra parte foi perdido.
Tudo é tarefa do tempo, este caminha junto com a transformação. Desde o dia 15 de dezembro assumi um papel, este papel é irremediável. Dar certo é um ponto de vista, tão relativo à lei de Eistein.
Os rumos mudaram, por isto mudo de endereço eletrônico na próxima postagem. As finalidades serão outras, talvez mais colaborativas e menos densamente devaneadas. Guardo a surpresa, a divulgação caberá ao tempo destinado a criação.
Mesmo deixando este lado, o Desejos Mortos permanecerá no ar até o dia que a conta espirar. Ficará como uma faixa espremida por uma multidão: quase não percebida, porém, marcando presença.
sábado, 29 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Falando do Cidadão
Li o texto abaixo para os alunos do curso de alimentação do Projovem trabalhador. Um projeto que tive o prazer de participar, pelos alunos. Dedico esta postagem a eles, que me fizeram feliz no tempo que estivemos juntos.
Analisando um personagem tão constante em nosso dia a dia entendi melhor a definição da palavra cidadania. Por diversas vezes não dei atenção ao que ela realmente representava (e representa), perdi até a noção da grandiosidade de um simples ato de generosidade. Foi durante esta análise que conheci “o cidadão”, um cara simples.
Descobri que o cidadão gosta de conviver com todos os “mundos” diferentes que representa cada ser humano vivo ou morto. Ele respeita individualidades e luta por igualdades. Conversando de forma franca ele deixou escapar entre palavras que somente através da educação poderemos nos considerar representantes dignos de uma sociedade não somente humana. Algo interessante do cidadão é que ele tem respeito no coração e a vida na mão.
Quando debatíamos sobre o futuro ele me perguntou – será que podemos mudar o mundo?
Na própria resposta ele disse que seria sincero e não saberia responder com precisão. Então definiu ali mesmo que buscaria pelo aprimoramento pessoal para encontrar a resposta – E tem mais! – disse o cidadão - É a partir deste aprimoramento pessoal que pensaremos diferente e reagiremos à inércia social de tempos tão violentos e sem amor.
O cidadão foi gentil e pacífico durante todo tempo que me dispôs para analisá-lo. Ele afirmava constantemente que a violência gera violência. Porém, não “fugiria à luta” se alguém o agredisse com injustiças e egoísmos. O cidadão acredita que a razão deve prevalecer em todas as circunstâncias.
Durante esta breve convivência tive a impressão que conhecia o cidadão a longas datas, talvez tenha sido por sua solicitude. Nem é preciso comentar sobre a honestidade que transbordava naqueles olhos.
Eu estava com pressa e precisava partir. No instante que me despedia, ele revelou que era onipresente e estaria em qualquer lugar que pudessem reconhecê-lo. Portanto estaria ao lado de quem solicitasse sua presença.
Grande cara este cidadão!
Assisti a dois bons shows deles. Um na Aldeia da Serra e outro no dia da consciência negra.
Analisando um personagem tão constante em nosso dia a dia entendi melhor a definição da palavra cidadania. Por diversas vezes não dei atenção ao que ela realmente representava (e representa), perdi até a noção da grandiosidade de um simples ato de generosidade. Foi durante esta análise que conheci “o cidadão”, um cara simples.
Descobri que o cidadão gosta de conviver com todos os “mundos” diferentes que representa cada ser humano vivo ou morto. Ele respeita individualidades e luta por igualdades. Conversando de forma franca ele deixou escapar entre palavras que somente através da educação poderemos nos considerar representantes dignos de uma sociedade não somente humana. Algo interessante do cidadão é que ele tem respeito no coração e a vida na mão.
Quando debatíamos sobre o futuro ele me perguntou – será que podemos mudar o mundo?
Na própria resposta ele disse que seria sincero e não saberia responder com precisão. Então definiu ali mesmo que buscaria pelo aprimoramento pessoal para encontrar a resposta – E tem mais! – disse o cidadão - É a partir deste aprimoramento pessoal que pensaremos diferente e reagiremos à inércia social de tempos tão violentos e sem amor.
O cidadão foi gentil e pacífico durante todo tempo que me dispôs para analisá-lo. Ele afirmava constantemente que a violência gera violência. Porém, não “fugiria à luta” se alguém o agredisse com injustiças e egoísmos. O cidadão acredita que a razão deve prevalecer em todas as circunstâncias.
Durante esta breve convivência tive a impressão que conhecia o cidadão a longas datas, talvez tenha sido por sua solicitude. Nem é preciso comentar sobre a honestidade que transbordava naqueles olhos.
Eu estava com pressa e precisava partir. No instante que me despedia, ele revelou que era onipresente e estaria em qualquer lugar que pudessem reconhecê-lo. Portanto estaria ao lado de quem solicitasse sua presença.
Grande cara este cidadão!
Assisti a dois bons shows deles. Um na Aldeia da Serra e outro no dia da consciência negra.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A proporção do que é grande é nossa.
Meu horário estava apertado e havia um histórico de atraso com as entregas. Na época (2005) eu trabalhava no restaurante dos meus pais. O orçamento era baixo e filho do dono sempre faz de tudo. Eu dirigia um gol vermelho, no porta-malas dele havia trinta quentinhas protegidas por isopores. A grande distância entre o restaurante e o cliente me obrigava acelerar “um pouco”. Eudes, o cliente, pagava em dia e comprava uma quantidade razoável de almoços.
O caminho era pela Avenida Sapopemba (infinita). Na abertura de cada farol eu forçava o motor. Não dava importância para dirigir certo. O escapamento do carro reagia com pipocos. Neste momento a lei de Murphy se mostrou ativa, pois uma luz acendeu no painel e logo apagou, não liguei, achei que fosse bobagem. Continuei e a luz acendeu e apagou de novo (mais tarde soube que era a falta de óleo). O horário me cegou, fingi que não vi. Permaneci rumo ao bairro Terceira Divisão. Outra vez a luz acendeu daí prestei mais atenção, a cor era vermelha. Não apagou até o carro abrir o bico. Justamente quando a Avenida Sapopemba afunila e vira uma espécie de serra com barracos e casas mal acabadas por toda extensão lateral, um lugar violento. O motor rangia um esguicho agudo, levei até onde deu. Deixei na banguela até o último suspiro de vida do Gol.
“ENRASCADO” esta é a palavra, ainda por cima havia esquecido o celular no restaurante.
“Tarefa dada é tarefa cumprida” (Tropa de Elite de Braulio Mantovani). Desci do carro, olhei em volta. A minha direita uns barracos pelo contorno do morro, a minha esquerda um precipício. Tirei meu boné da cabeça e soltei um palavrão para sonorizar a garganta, chutando em seguida o pneu do carro. A metalúrgica ficava meio quilômetro sentido sul. Num dos barracos um senhor me observava, curioso com a movimentação em frente da casa dele. Não vi nenhum orelhão. Fui até o senhor, sua aparência mostrava sofrimento. Ele me recebeu bem, sorriu e perguntou se eu estava com problemas. Respondi que sim, expliquei rapidamente a situação e pedi para usar um telefone. Seria uma surpresa ele dizer que tinha. Na hora parece drama, só depois acreditamos que são as pequenas coisas que nos marcam mais. Achei curioso aquele homem, deliberadamente ele quereria me ajudar. A solução precisava ser rápida, pois o tempo passava. Em uma conversa que durou pouco perguntei se ele tinha carro, eu pagaria aluguel. Imaginem se ele possuía? “Não tenho fio”, foi a resposta. Falei sobre minha necessidade em ser pontual. Ele foi complacente, acho que teve dó. Provavelmente meu pedido foi uma surpresa, com certeza ele sabia melhor do que eu sobre a violência na cidade e sobre aparências que enganam. Como um típico paulistano sou desconfiado.
Ambos analisávamos as possibilidades. O olhar do homem velho cansado de respiração pesada era bondoso, e foi pelo olhar que criamos certa empatia. Eu reclamava como se ele fosse obrigado a ouvir. Em seu silêncio ele me respondia para ter paciência, dava para sentir isto. Quando eu fazia os agradecimentos finais e virava as costas ouvi algo que surpreendeu, nunca poderia imaginar. Lembro das palavras “eu tenho uma carriola ali se cê quisé”. Achei absurdo, no entanto foi a coisa mais “concreta” para o momento. Pedi para ver. Não poderia carregar comida em qualquer lugar por questões de higiene, deixei claro que não estava menosprezando a oferta. O velho entrou e voltou carregando uma carriola semi nova brilhando a respingos de cimento, relativamente limpa.
Aceitei a oferta. Coloquei os isopores e segui em passos firmes carregando a mercadoria. Esbravejei, xinguei mais, reclamei e continuei com a empreitada. No fundo achava a situação cômica. Por fim, cheguei à fábrica. Na portaria ficava um vigia rodeado de cachorros vira-latas, ele me viu sem acreditar. Caminhei até um galpão com abertura lateral, era lá que eu despachava a entrega. Quando estacionei a carriola o olhar do vigia foi multiplicado em sei lá quantas feições diferentes. Um relógio grande de ponteiros afixado na parede marcava 12h05. Reconheço que atrasei, foi por pouco. Quando voltei ofereci uns trocados como retribuição, o velho não quis. Consegui encontrar um orelhão para pedir socorro e durante mais de uma hora esperei. Tempo suficiente para conhecer toda a família do senhor. Eu não aceitei um café por achar que abusaria da hospitalidade. Eita ideia porreta que ele teve!
De ontem para a história são dias que eu nunca esqueço.
...
conheci este site através do meu amigo Sicuro. Agora sou cliente.

see more This is Photobomb
...
Jorge é muito bem.
O caminho era pela Avenida Sapopemba (infinita). Na abertura de cada farol eu forçava o motor. Não dava importância para dirigir certo. O escapamento do carro reagia com pipocos. Neste momento a lei de Murphy se mostrou ativa, pois uma luz acendeu no painel e logo apagou, não liguei, achei que fosse bobagem. Continuei e a luz acendeu e apagou de novo (mais tarde soube que era a falta de óleo). O horário me cegou, fingi que não vi. Permaneci rumo ao bairro Terceira Divisão. Outra vez a luz acendeu daí prestei mais atenção, a cor era vermelha. Não apagou até o carro abrir o bico. Justamente quando a Avenida Sapopemba afunila e vira uma espécie de serra com barracos e casas mal acabadas por toda extensão lateral, um lugar violento. O motor rangia um esguicho agudo, levei até onde deu. Deixei na banguela até o último suspiro de vida do Gol.
“ENRASCADO” esta é a palavra, ainda por cima havia esquecido o celular no restaurante.
“Tarefa dada é tarefa cumprida” (Tropa de Elite de Braulio Mantovani). Desci do carro, olhei em volta. A minha direita uns barracos pelo contorno do morro, a minha esquerda um precipício. Tirei meu boné da cabeça e soltei um palavrão para sonorizar a garganta, chutando em seguida o pneu do carro. A metalúrgica ficava meio quilômetro sentido sul. Num dos barracos um senhor me observava, curioso com a movimentação em frente da casa dele. Não vi nenhum orelhão. Fui até o senhor, sua aparência mostrava sofrimento. Ele me recebeu bem, sorriu e perguntou se eu estava com problemas. Respondi que sim, expliquei rapidamente a situação e pedi para usar um telefone. Seria uma surpresa ele dizer que tinha. Na hora parece drama, só depois acreditamos que são as pequenas coisas que nos marcam mais. Achei curioso aquele homem, deliberadamente ele quereria me ajudar. A solução precisava ser rápida, pois o tempo passava. Em uma conversa que durou pouco perguntei se ele tinha carro, eu pagaria aluguel. Imaginem se ele possuía? “Não tenho fio”, foi a resposta. Falei sobre minha necessidade em ser pontual. Ele foi complacente, acho que teve dó. Provavelmente meu pedido foi uma surpresa, com certeza ele sabia melhor do que eu sobre a violência na cidade e sobre aparências que enganam. Como um típico paulistano sou desconfiado.
Ambos analisávamos as possibilidades. O olhar do homem velho cansado de respiração pesada era bondoso, e foi pelo olhar que criamos certa empatia. Eu reclamava como se ele fosse obrigado a ouvir. Em seu silêncio ele me respondia para ter paciência, dava para sentir isto. Quando eu fazia os agradecimentos finais e virava as costas ouvi algo que surpreendeu, nunca poderia imaginar. Lembro das palavras “eu tenho uma carriola ali se cê quisé”. Achei absurdo, no entanto foi a coisa mais “concreta” para o momento. Pedi para ver. Não poderia carregar comida em qualquer lugar por questões de higiene, deixei claro que não estava menosprezando a oferta. O velho entrou e voltou carregando uma carriola semi nova brilhando a respingos de cimento, relativamente limpa.
Aceitei a oferta. Coloquei os isopores e segui em passos firmes carregando a mercadoria. Esbravejei, xinguei mais, reclamei e continuei com a empreitada. No fundo achava a situação cômica. Por fim, cheguei à fábrica. Na portaria ficava um vigia rodeado de cachorros vira-latas, ele me viu sem acreditar. Caminhei até um galpão com abertura lateral, era lá que eu despachava a entrega. Quando estacionei a carriola o olhar do vigia foi multiplicado em sei lá quantas feições diferentes. Um relógio grande de ponteiros afixado na parede marcava 12h05. Reconheço que atrasei, foi por pouco. Quando voltei ofereci uns trocados como retribuição, o velho não quis. Consegui encontrar um orelhão para pedir socorro e durante mais de uma hora esperei. Tempo suficiente para conhecer toda a família do senhor. Eu não aceitei um café por achar que abusaria da hospitalidade. Eita ideia porreta que ele teve!
De ontem para a história são dias que eu nunca esqueço.
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conheci este site através do meu amigo Sicuro. Agora sou cliente.

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Jorge é muito bem.
Postado por
marcelo grejio cajui
às
23:42
Marcadores:
jorge ben jor;gol;avenida sapopemba
sábado, 7 de agosto de 2010
E o fim do mundo?
Nostradamus
O mundo não acabou.
Talvez o seu sim,
Mas o meu está bem aqui.
Diante de mim.
Morrerei,
não verei.
Não verei o seu tão previsto fim.
------------------------------------------------------------------------------
Demorei para comentar, culpo a correria e a busca por objetivos. Um CONTO que escrevi foi publicado na revista eletrônica Zunái. Visitem, é um excelênte veículo online, tanto pelo layout quanto pelo conteúdo. Me sinto honrado por ter feito parte. Agradeço ao Marcelino Freire pela seleção.
Relembrando...
O mundo não acabou.
Talvez o seu sim,
Mas o meu está bem aqui.
Diante de mim.
Morrerei,
não verei.
Não verei o seu tão previsto fim.
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Demorei para comentar, culpo a correria e a busca por objetivos. Um CONTO que escrevi foi publicado na revista eletrônica Zunái. Visitem, é um excelênte veículo online, tanto pelo layout quanto pelo conteúdo. Me sinto honrado por ter feito parte. Agradeço ao Marcelino Freire pela seleção.
Relembrando...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Mudando de assunto
Nova cara e concluindo rapidamente a postagem anterior, eu consegui ir à Bienal. Mas isto já é muito passado, a demora para o complemento fez o assunto perder o sentido.
Mudando de assunto. Nas últimas semanas vi muito sobre educação, não acredito em coincidências deve ter algum motivo para isto ter acontecido. Fiz o texto abaixo para uma vaga que eu não poderia me candidatar, no entanto o exercício valeu.
Educação Integral
Sabemos que o tema não é novo, mas é atual e continuará sendo enquanto a educação brasileira não encontrar um eixo. O método já foi e ainda é utilizado com sucesso por diversas instituições de ensino, porém, não temos a frequência ideal. Segundo a UNESCO, o Brasil figura entre os países onde as crianças passam menos tempo nas escolas. A média é de 4,5 para o ensino fundamental e 4,3 para o médio (jan/2010). Não é eficaz multiplicar por dois a carga horária e aplicarmos apenas procedimentos tradicionais, provavelmente isto dispersaria ainda mais a criança que já possui elevado grau de desinteresse.
No período integral de ensino é melhor de se trabalhar partes mais profundas, mesclando conhecimentos “não formais”, de campo. “Educação” é uma palavra que engloba absolutamente todos os elementos que necessitamos para convivermos em sociedade, ela (educação) independe de termos criados que nos dão a impressão de dissidências, como quando dizemos “educação não formal”. Segundo Vygotsky a “zona de desenvolvimento próximo” abrange todas as funções e atividades que a criança (ou aluno) desempenha apenas com a ajuda de outra e é parte de um processo em que a criança desenvolve seu intelecto dentro da intelectualidade daqueles que a cercam (Vygotsky, 1978). Este pode ser o pai, professor, responsável ou algum amigo que tenha habilidade necessária.
O desinteresse por parte do principal beneficiário (o aluno) deve-se muito à falta de identificação com algumas aplicações enferrujadas. É aí que entra o tema do título: educação integral, aquela que integra. As respostas se abrangem entre especialistas. Em entrevista concedida a Folha de São Paulo (mar/2009) a psicóloga Iolete Ribeiro* alertou que a funcionalidade do método integral deve agregar diversidade que contribua para o desenvolvimento físico, criativo e social da criança.
Entre infinitas teses a solução ainda engatinha. Eu gostei muito do slogan do ministério da educação: “Para a educação melhorar, todos devem participar”. É exatamente isto, não basta possuir fórmulas sem ter os químicos para aplicá-las.
*conselheira do Conselho Federal de Psicologia
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O Festival de Inverno de Paranapiacaba trouxe no domingo (ontem) algumas atrações interessantes, a melhor foi Zeca Baleiro. Um tal de Rafale Castro não deu as caras, nem sei porque. Ficamos esperando que nem uns tontos. Semana que vem tem mais. Eu dou um conselho para quem quer ir: vá cedo e estacione o carro em algum metrô que dê integração para o trêm. Ta embaçado chegar lá de carro.
Postado por
marcelo grejio cajui
às
23:36
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O segundo dia - parte 1
O estado de Minas é mais do que um estado, parece outro lugar no mesmo lugar, o Brasil. Mas isto é normal, toda nossa confederação é assim. A educação me pareceu mais forte do que em SP. Para todos os lados de Belo Horizonte vi estudantes carregando livros. Do mais velho ao mais novo.
Mais desconfortos me cercaram durante a viagem, a sequência aconteceu no Caesar Business Center de BH. Aconteceu que os meus cem reais (sobra dita na postagem anterior) foram requeridos como depósito de segurança, já que eu não possuía cartão crédito. Primeiro foi eu quem disse não. “Não posso dispor deste dinheiro preciso dele” eu disse com educação e segurança, no entanto meu lado estava desinformado. Ele me olhava nos olhos e eu nos de cada um que estava no saguão, inclusive os dele. Eu já estava cansado, a viagem de volta de Ouro Preto havia sido de duas horas, mas pelo menos eu havia conseguido o que queria: ficar em BH para visitar o EXPOMINAS onde acontecia a Bienal.
Na recepção do Caesar de frente para mim estava um rapaz louro, aparentemente bem tratado, era fino, falava baixo e firme: “Mas são normas do Hotel, não posso alterá-las. Verei o que minha gerência pode fazer.”(Voltou após dois minutos)” Olha... Senhor Marcelo, realmente NÃO podemos mudar esta norma.”
Eu vi que ali poderia ser o fim, e tentei minha última “Eu só ficarei por uma noite” Foi a vez dele “Uma noite? Mas aqui nos consta duas” Eu retruquei e contei a história do porque eu estava ali sem muitos fundos. Ele me pediu a metade, cinquenta reais. Cinquenta era outra coisa. Seria meu exílio quase geral, me restaria vinte e oito para transporte, entrada e almoçojanta. Dureza é uma desgrama, acho uma porcaria ter que contar trocados, mas se eu nunca fizer este tipo de coisa, jamais sairei de casa. Ali, mesmo duro, eu estava livre por alguns instantes, em um lugar que ninguém me conhecia. Estava tão livre que poderia dormir jogado na rua se o recepcionista não quebrasse o valor pelo meio. Ainda assim tentei resistir e a partir daí ele foi inflexível e enfatizou o NÃO. Não me haviam escolhas, saquei o dinheiro e entreguei. No final da estadia me devolveriam. Resolvi apagar aquele episódio, mas algo me perturbava. Tudo era fino, isto que eu nem deveria estar no melhor quarto. Tomei uma ducha usei os meus trinta minutos de direito a internet para pesquisar como chegaria à Expominas e checar meus e-mails. A hora estava apertada, eram quase três da tarde.
Continua....
Programa para sexta. Se tudo correr como o planejado eu vou.
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