terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sobre São Paulo

Sou de São Paulo sim. Por quê? Algum problema em ser paulistano? Nasci e vivi aqui. Fiz dos meus sabbaths dias inteiros de suor do trabalho.
Este episódio eu dedico à minha terra. Lugar de todas as crenças e misticismo. Muito mais do que na Europa. Porque aqui temos outra miscigenação. Não é à toa que nos destacamos no cenário internacional. De um pequeno brejo brotou esta cidade incansável. Nossos bandeirantes orgulhosos deram valor a este lugar no meio do nada. Afinal de contas, não estamos no centro do Brasil. Mas estes bravos homens nos transformaram no que somos hoje (nem tudo perfeito). Os que vinham pra cá, eram os indesejados. Gente que estava atrapalhando o reinado. Tanto é que foi daqui que dizem ter saído o grito da independência. A partir daí é que veio a projeção de liberdade para europeus famintos. São Paulo foi a porta de entrada. Podem falar sobre Rio de Janeiro, Minas, Bahia ou qualquer cidade mais acima. Mas foi em São Paulo que as principais reivindicações populares tomaram forma.
Sou patriota sim. Amo o colorido do Brasil como amo minha São Paulo branco e preta. Se daqui parti, tenho que enaltecê-la. Não é questão de organização. Se fosse assim, Curitiba seria eleita a principal metrópole brasileira. A confusão instaurada atrai viajantes exóticos em busca de conhecimento urbanístico. Os naturalistas vêem uma nova Londres, Nova Iorque, Paris ou Bruxelas surgindo. Daqui uns anos petrificaremos o Brasil inteiro. Os antigos defendem formatos que fracassaram antes. Não vêem que no passado foi feito o mesmo. Bem antes da unção do Rei Davi os impérios são construídos deste jeito.
A cidade ficou pequena pro tanto de gente que buscou oportunidades. Pequena pra paulistanos de origens, que acabaram fugindo para outras cidades. Muitos mudaram. Começaram pelo ABC, viram uma possibilidade de desenvolvimento longe dos invasores estrangeiros que não paravam de chegar. Os italianos dominavam a capital, alguns deles eram aproveitadores que usavam o próprio povo. Os Matarazzos eram famosos por sua generosidade com a fé cristã. Sempre se destacaram na comunidade desta forma. Oferendas gigantescas compraram a fé do povo. A Mooca e o Bixiga se expandiram para todas as regiões, inclusive as periféricas. Os japoneses foram outros que sonharam por aqui. O solo era fértil o clima razoável, porém muita movimentação do povo ocidental. Preferiram os campos. Os que permaneceram separaram um pedaço dela só pra eles. Hoje é um dos principais pontos turísticos: o bairro da Liberdade.
Tudo funciona como um organismo. Super vias rasgam o solo que dificilmente tem um tremor de terra. Pontes e mais pontes. Tuneis e mais túneis. Somos tatus, somos pássaros. No temos o dobro de helicópteros que os Nova Iorquinos. A malha ferroviária é a mais extensa do Brasil, o metrô é reconhecido mundialmente.
O mundo só veio pra cá quando percebeu que os colonos haviam acabado com nosso povo selvagem, ou seja, os índios. É a região mais afetada pelo desmatamento predatório. Se não me engano foi o mosteiro São Bento que mais se destacou na evangelização dos nativos que cansaram de resistir.
O monumento que mais admiro é o dedicado ao grito do Ipiranga. Toda construção é magnífica. As instalações são modernas e bem sinalizadas. Conta muito bem a evolução e a explosão do desenvolvimento. Tivemos nosso próprio Big Bang.
A idéia para fazer este texto veio da bíblia, do livro das crônicas, cap. 11. Onde Davi é ungido rei. O que me deixou mais interessado é o valor dado à pátria. Foi motivo de inveja para povos que não possuíam harmonia. Até então éramos poucos sobre a Terra. E qualquer meia dúzia era alegoricamente categorizada como super. Onde um homem ainda fazia a diferença.
O mesmo Deus de Davi abriu diversos impérios até chegarmos ao modelo atual. Que parece possuir as falhas dos outros.
Todas as grandes nações inspiraram o nacionalismo. Talvez seja este o fardo que nós deixamos distante do que poderia ser ideal. Construímos uma grande estrutura pra quase nunca usufruir. Preferimos gozar com a dos outros.
A única coisa que eu espero é não endurecer como ela. Sou um fruto e não a árvore, não tenho tanto controle assim.
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Tá rolando a 33 mostra internacional de cinema de São Paulo.


Fui ver como ficou a sala improvisada no vão do masp (ficou bem louca)


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Achei uma iniciativa muito bacana esta do museu da pessoa. To com uma história publicada lá.
http://www.museudapessoa.net/MuseuVirtual/hmdepoente/depoimentoDepoente.do?action=ver&idDepoenteHome=15838

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Encerrando a postagem com "Fado Lisboeta" de Edu Miranda Trio.






4 comentários:

Nydia Bonetti disse...

Marcelo, acho fantásticos estes depoimentos, histórias de pessoas comuns, outras nem tanto, sempre nos dando lições de vida. Gostei muito da tua história.

Já viu isto: http://www.revistabrasileiros.com.br/digitais/index.htm

Também amo São Paulo, mas agora sou caipiRa do inteRioR. :) Acho que não suportaria mais viver numa cidade grande. Sempre bom te ler.

Abraços.

Walter Filho disse...

Falou d São Paulo, falou d mim, acho a cidade fascinante, apesa de não morar lá ( ou seria aí?)Mas gosto muito, e pretendo morar lá em breve. Obrigado pela visita ao blog!;)

marcelo cajui disse...

Nada como histórias reais. As vezes elas são suadas. Mas é de suor que se faz o trabalho.
Obrigado pelo elogio. fico contente. principalmente vindo de alguém que admiro escrevendo.

Vou entrar pra conferir.

Abraço.

marcelo cajui disse...

aqui, sim. moro em sp desde meu primeiro grito. Muitas coisas mudaram, mas ainda continuo gritando bastante.

Valeu pela visita.