segunda-feira, 1 de março de 2010

Tempestuosidade














(São Mateus - SP)


Foi com relâmpagos que ela anunciou
sua chegada solene.
A água, no solo ficou perene.
Veio após um trovão que do alto soou.

A tempestade junto levou:
- Telhas suicidas.
- Lamas apodrecidas.
- Pessoas estarrecidas.
Por isto, o povo reprovou.


Muito mais acabou:
- Carros foram afogados.
- Lares foram acobertados
pelas merdas dos rios alagados.
- Moldens e receptores de TV a cabo
queimaram decorrente do raio que desabou.

O jornal indagou:
- O fim dos tempos.
- O que o El Niño impôs.
- O futuro dos jogos olímpicos.
E a nação foi esquecida, se afogou.

Um político em comício pronunciou
um futuro sem enchentes.
Porém, quem manda nunca é a gente.
Um mundo passado à isto presenciou.

2 comentários:

Alessandra Santos disse...

Muito bacana esse seu texto. Poético, descritivo, trágico e ao mesmo tempo bonito. Lógico que não atribuo beleza ao tema, mas ao uso que você faz, e muito bem, das palavras.

Nunca me atrevi a escrever algo assim. Acho que rima é ferramenta para uns poucos e bons. Considere-se privilegiado.

Um abraço e até mais!

quandoeumechamarsaudade disse...

Bem descrito. Essa é a grande São Paulo pelos menos nestes dias de chuva.

Abraços,

Estefani