segunda-feira, 1 de março de 2010

Tempestuosidade














(São Mateus - SP)


Foi com relâmpagos que ela anunciou
sua chegada solene.
A água, no solo ficou perene.
Veio após um trovão que do alto soou.

A tempestade junto levou:
- Telhas suicidas.
- Lamas apodrecidas.
- Pessoas estarrecidas.
Por isto, o povo reprovou.


Muito mais acabou:
- Carros foram afogados.
- Lares foram acobertados
pelas merdas dos rios alagados.
- Moldens e receptores de TV a cabo
queimaram decorrente do raio que desabou.

O jornal indagou:
- O fim dos tempos.
- O que o El Niño impôs.
- O futuro dos jogos olímpicos.
E a nação foi esquecida, se afogou.

Um político em comício pronunciou
um futuro sem enchentes.
Porém, quem manda nunca é a gente.
Um mundo passado à isto presenciou.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quase Trinta

Sobre a idade

Ainda não alcancei os trinta. Sinto-me bem assim e preferia que minha idade mental parasse por aqui. Nem muito maduro, nem irresponsável. No ponto limite entre emoção (em primeiro lugar) e razão.
Prefiro selecionar as tarefas para realizar no próprio dia de execução. Em paradoxo com esta colocação, eu mantenho uma agenda de datas. Não sei se isto se trata de um sentimento individual. Quase todos passaram, estão passando, ou ainda vão passar por isto.

O balanço que sentimos até os trinta é muito especial. Nesta fase penso: “vou assumir uma posição social?”, ou: “Permanecerei na vida de incertezas?”. Esta dúvida parece me levar pro caminho das ‘decisões certas’. Aquelas que criam o desejo de eternizar pequenos momentos e transformar fatos corriqueiros em situações fantásticas.
Não nos julguemos tanto homens de quase trinta (hipocrisia da minha parte, pois me julgo o tempo inteiro). Somos o que somos, mostramos claramente isto. Com exceção dos covardes, estes não merecem créditos neste texto. Falo aqui para os lutadores. Aqueles que reconhecemos por um simples e-mail recebido. Nesta prosa pretendo brindar à idade, pois ela existe apenas na cabeça. Os ‘quase trinta’ são metafóricos.

Neste sonho escrito não cabem os de pensamentos retrógrados.
Se tivesse que visualizar uma situação onde eu comemoraria os meus quase trinta, mentalizaria uma mesa de bar com grandes proporções. Precisaria de, no mínimo, duas mercearias São Pedro pra fazer cabê-la. Este móvel talvez seja o que imaginamos da Távora redonda. Não acho que dizer isto seja prepotência ou muita pretensão da minha parte. Vejo copos de cerveja, taças de vinho, cinzeiros lotados de bitucas de cigarros. Dos presentes: uns estão em pé sorrindo, outros estão sentados criando diversos grupos de discussão. No recinto escuto um grito: – UM BRINDE! No mesmo movimento de corpo todos viram e levantam de pronto seus cálices, mesmo sem se conhecer um ao outro. Numa passada de olho vejo os que fizeram parte da minha vida pessoal ou profissional, é impossível citar todos e o que cada um significa ou significou.

Quando temos quase trinta lembramo-nos de ‘quase’ todos os nomes, um por um vemos quem é quem. Para alguns a memória falha, não por falta de esforço, mas por pura desatenção involuntária.
Não sei se a ficha caiu com relação à minha idade, ainda sou novo, tenho certeza disto.

Aos fins de semana sou fotógrafo de eventos, no sábado (meu aniversário) provavelmente eu trabalhe em algum aniversário de 15 anos tirando fotos, pois é... irônico não?

Mesmo com tantas decisões para tomar, a única que considero como certa, é a de que impedirei ‘meus quase trinta ‘ de passar sem histórias para contar. Independente de serem tolas para muitos.

-----------------------------------------------------------------------------------


A Casa da Palavra (link) fica em Santo André, é um espaço dedicado a literatura e cultura. Oferece gratuitamente diversos cursos ministrados por profissionais renomados. As inscrições estão abertas e são limitadas.

-----------------------------------------------------------------------------------

Existem músicos que precisamos conhecer, principalmente as que tratam das raizes da nossa cultura. Nelson Cavaquinho é um deles.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

devaneios sobre o apocalipse

Quando imagino o apocalipse, penso numa renovação ou em algo constante. Que ocorre de eras a eras. Cada qual já teve sua vez. Uma nova ordem mundial, talvez.
Povos do passado viveram coisas deste tipo. Não sei qual nação começou com esta história de fim.

A voz ocidental clama por Jesus – ninguém poderá substituir um ícone deste tipo – dizem os cristãos que morrem de medo de perderem o reino que foi construído a base de ferro e fogo. Muitos não percebem que outras civilizações estão voltando com a força da maior riqueza que a atualidade pode proporcionar.

Uma das definições para esta questão é: fim dos dias. Analisando o que a frase  diz em sentido literal, ela se refere diretamente a uma mudança de algo que é infinito (ou talvez não exista): a cronologia. Os ciclos são finitos e recomeçam de outra forma. Depende da interpretação de cada um.
Não consigo prospectar o extermínio da humanidade. Pode ser que ela persistirá como os outros animais, de uma forma adaptada é claro.
Os que sobreviverão provavelmente serão os que pensarão mais.
Notem os grandes cérebros que sobressaem diante de outras culturas. Os destaques são estudados pelos dominadores. Qualquer nação que prospera usa os cientistas da que foi tombada por ela.

Quando Jerusalém prevaleceu de forma plena e absoluta nem o Egito podia assustar. Depois vieram os romanos costurando pelas bordas. Outra filosofia era a deles, que perceberam isto rapidamente aplicaram-se nos conhecimentos da população talassocrática que disseminaram a Grécia.

São os derrotados que fogem e levam consigo tudo que aprenderam.


Voltando a Roma. Rômulo e Remo eram símbolos plenos, assim como o Jesus dos cristãos. Figuras humanas que representavam divindades na Terra. Como Moisés foi para os judeus, ou Buda para os indianos, ou os faraós para os egípcios, ou Maomé para os islâmicos. Estes humanos foram endeusados com a nossa justiça.

Por mais que as raças tenham diferenças, elas permanecerão aflitas pela invasão de forasteiros. Todas criaram filosofias apocalípticas provavelmente em decorrência do que ocorreu antes das suas origens.
Falar sobre dizimação é um pouco incoerente e utópico, no entanto figurar uma nova ordem social mundial é mais plausível.
O último e atual apogeu de uma civilização tem-se com os americanos.

A miscigenação entre indígenas selvagens  e europeus civilizados mudou a cara do mundo. Em pouco mais de quinhentos anos passamos por grandes transformações sócio-ambientais.
Com a pregação de salvação, tentaram acabar conosco - nós porque é muito difícil um americano que se preze não ter sangue indígena correndo em suas veias.

A revolta começou na península do norte que desvinculou os laços da Grã-Bretanha protestante cristã. Os rebelados utilizaram tudo que os colonizadores ensinaram e mantiveram as bases culturais. Fizeram do mundo o seu quintal de férias.
Talvez seja por isto que os extremistas criarão um ídolo para se defenderem do ocidente. Denominaremos este de “o anticristo”. Anti porque é contra. Isto não quer dizer que para sua pátria eles sejam maus.

Vemos novas trincheiras serem cavadas. Os rostos que apregoam a favor delas são velhos conhecidos. Desta vez vieram modificados, adaptados, possuindo gostos similares. Duvido que o Osama Bin Laden nunca tenha comido no mc donald’s.
As mudanças podem não ser de todo mal, por mim pode ser em 2012, apenas teremos que rever os hábitos, passando um pente fino neles.

Talvez serão os chineses, podem ser os árabes, quem sabe seja a volta do judaísmo? Se bem que os Indus chegam forte para as batalhas.

É de tanto ser usado que nosso mote religioso parece gasto. Acredito muito no Brasil, porém antes de nós virão outros. Espero que na nossa vez o pacifismo seja predominante.

Dizem que os escolhidos serão os que padecerão pela causa sublime. Será que apenas ouvimos isso para lutarmos até a morte contra as invasões culturais?
Barack Obama não carregará uma granada, Mahmoud Ahmadinejad não pilotará caças nucleares e Hu Jintao não portará um fuzil. Quem é esperto não quer morrer.

O nosso céu é a mesma Vahala do xamanismo Viking, ou qualquer que seja a mitologia usada por quem estiver no poder.

-----------------------------------------------------------------------------------
Na quinta edição da série OCUPAÇÃO, O Itaú Cultural apresenta o universo de Chico Science. Vou daqui a pouco, portanto não posso comentar se está legal. O site ta chapado.
De Chico Science eu gosto muito, é praticamente o último destaque brasileiro no cenário cultural internacional. O reconhecimento da sua capacidade foi mundial.

O vídeo abaixo é uma apresentação da banda Nação Zumbi no programa Jools Holland em 2006. Era exibido (ou é, não sei, nunca mais vi) pelo canal People & Arts.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Afortunados

“A pessoa tem que se empenhar em conviver com o outro. Eu não acho que exista amor. Há compreensão e amizade. Aí, sim, perdura. A pessoa tem que se submeter e aceitar às vezes”.
Dona Canô.
Fonte: Nordeste Web

http://www.nordesteweb.com/not07_0907/ne_not_20070928a.htm

----------------------------------------------------------------------------

O mundo acolhe os exemplos que aprendemos em casa.
Tomemos como modelo, Dona Canô, que aos 103 anos esbanja sabedoria. A sua casta é prestigiada mundo afora. Não é novidade que Caetano e Betânia têm grande influência na cultura que mantemos na música e poesia nacional.
O canal Brasil exibiu em dezembro o documentário “Pedrinha de Aruanda” que convida o espectador a participar e ter vontade de se reciclar com os exemplos dados pela matriarca dos Veloso. É lindo poder ver o trato que um tem com o outro dentro daquela casa. Percebemos que o sucesso de ambos só foi possível devido ao respeito à família.
O que São Paulo ter em dinheiro, o nordeste parece ter em dignidade (não avalio a dignidade como sendo apenas dádivas).
Duas regiões distantes e parecidas são: sul da Itália e Nordeste brasileiro. Digo em alguns costumes, inclusive no de manter um nível elevado de parentes. Os comuns mais visionários assumem uma filosofia: união.
É preciso compreender que todo objeto humano, como a dignidade, tem dois lados. Exatamente o que observamos no Ing Ang. Se de um lado temos os Veloso, do outro temos os Maga (pra bom entendedor). Ambos perduram durante as transformações do país.
Esta pauta veio da informação de um locutor da rádio Band News. A notícia era a de que Dona Canô não participaria ativamente do cortejo religioso Terno de Reis Filhos do Sol. Fiquei curioso para saber o que aquilo tinha de tão relevante para virar notícia e pesquisei sobre o rito pra conhecer um pouco mais. Nas buscas encontrei uma entrevista de Dona Canô no link acima.
As três coisas (filme, reportagem e entrevista) aconteceram na mesma época, pois o cortejo foi no começo de janeiro. O que eu achei coincidência (ou não) é ter visto estas informações entre as datas festivas de final de ano. Onde sempre relembramos dos nossos, com sentimentos que nos cabe reservadamente.

Que venha 2010 em minha cidade que está mais velha.
-----------------------------------------------------------------
Foi uma pena eu não ter ido, mas pra quem tiver interesse acho que ainda dá tempo. Esta semana acontece o Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
http://www.forumsocialmundial.org.br
------------------------------------------------------------------
Tentei encontrar informações na net sobre esta banda. No site oficial podemos ver a capa da revista norte americana NME, onde eles são destaques e promessa para 2010. É nova, a formação oficial aconteceu em 2008. O EP Summertime tem boas melodias, as letras deixam um pouco a desejar.




terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Análise

(li este texto no "Letras em Cenas" (leituras de peças teatrais que acontece às segundas no auditório do Masp. Acho que vão reiniciar as atividades em abril)

No primeiro minuto de vida conheci a violência e o amor. Os psicólogos me explicaram que eles (os primeiros minutos vividos) foram traumáticos. Estes estudiosos apontaram vários motivos. Dentre eles foi quando tomei consciência das forças naturais que começavam a reger externamente, longe da proteção da placenta de mamãe.
Esta dolorosa descoberta fez com que eu dormisse mais do que ficava acordado. Tornava-se inevitável continuar sonhando quando eu sentia uma dor terrível no estômago que estava independente. Cagar era um sacrifício, nem sabia pra que servia aquilo.

Graças a Deus fui bem tratado, assim pude suportar o impacto. Infelizmente nem todos recebem o carinho afetivo, que é um elemento fundamental para a evolução.
Por mim eu ficaria no estado vegetativo a vida inteira. Mas percebi que não adiantaria. Foi então que comecei a cunhar a consciência exterior. Considerava como Deuses aqueles gigantes que me carregavam por todos os lados. Nesta etapa tentei entender o sentido de coisas simples como me alimentar sozinho, andar ou falar. Inspirado por mestres enormes virei um reflexo de tudo que vi.
Aos poucos outra coisa se revelou: o mundo. Daí, parti para outra atmosfera. Comecei a criar autonomia social. Dependia cada vez menos dos meus ídolos. Venerarei eternamente estes tutores. Não entendo como alguns ingratos que tiveram bases sólidas podem renegar ou sentir-se injustiçados.

Acho que fui um herói por passar por sucessivas quedas e ascensões. Nem todos os seres humanos possuem mentalidade para agüentar tais trancos.
Preferi continuar com aquilo que eu achava ser uma grande brincadeira. Percebi que o estado físico ultrapassava alguns limites e estabelecia algo além da carne que doía quando eu caia. Eu tinha apenas o parâmetro do estado vegetativo existencial. De repente misturou com aquele lugar novo.

Deparei aqui com a assimilação da mente como parte integrante do corpo. Comecei a manuseá-la da forma que desejava. Inventei dois universos paralelos fortalecidos. Confundia o sonho com a ‘realidade’. Os adultos estimulavam os dois e me encorajam a ser assim. De longe foi a melhor fase que já tive. Podia tudo: andava como um louco desvairado dando gritos pela casa, chamando meus avós, minha mãe, ou quem passasse.

Tudo poderia ser perfeito no cosmos de minha infância. Porém, a vida reservou novas surpresas. Desta vez a brincadeira tinha que acabar. Eu devia me comportar como ‘homenzinho’.

Esta foi a dimensão mais confusa. Porque ao mesmo tempo em que me masturbava no banheiro durante horas, tinha medo de arriscar os desejos para o ato físico. Tive que controlar o choque desta nova ordem que se anunciava e optei em abandonar o universo lúdico com pesar no coração. Virei um homem racional, lógico e decidido. O que antes era sono agora virou insônia. Algumas noites por culpas irreparáveis, outras por dores incorrigíveis, outras por preocupações criadas e assim vai. Adoro os prazeres sentidos nesta fase, sou feliz e casado, tenho dois filhos dos quais repassei os ensinamentos que recebi. Se houvesse a oportunidade de sentir o mesmo encanto pela vida que uma criança sente, eu aceitaria, porém, são coisas que não voltam a menos que me torne louco.




sábado, 19 de dezembro de 2009

Entendimento dos desentendimentos

Ninguém tem nada com a minha vida, reservo aos meus parentes próximos o direito de avaliar uma atitude que tomo. No entanto gostaria de fazer um desabafo. Com linhas criadas a partir da melancolia de alguns textos por aí.

Não sou mais, nem menos do que quem lê minhas postagens. Gradativamente este número vem aumentando. Basta me preocupar em publicar bons conteúdos e ter consideração por quem me considera, basta isso. Agradeço aos que seguiram juntos nesta caminhada. Como todo ser humano: gosto de ser acompanhado.

Esta mescla de queixa e agradecimento segue exatamente a nossa bipolaridade mental. Aquela que em um momento esta bom, no outro ruim. Infelizmente a minha é muito aguçada, sei dos meus defeitos, tento consertá-los, mas na maioria das vezes insisto e acabo irritando os (as) companheiros (as) da vida.

Encerro o ano de 2009 com um caminhão de decepções adquiridas. É meio triste, sei bem, mas me aponte um adulto que não passou por situações adversas.
Defino estas decepções em duas categorias: as que insistirei mais um pouco e as que abandonarei de forma atemporal. Definitivamente não sei o que desejo (ou desejarei) enquanto a ausência recíproca perdurar.
Nunca conseguirei apagar completamente da minha mente as coisas que me submeti fazer. Não posso colocar a culpa em ninguém. Tenho ciência destes fatos. Porém, entendo também que seria mais simples a tentativa de submeter as divergências em pratos limpos, para o entendimento dos desentendimentos. Tentei (sem sucesso) de variadas formas encontrar explicações para estas falências sociais e pessoais.
A única coisa que encontrei com a segunda categoria foi evasão afetiva. Como um líquido que cai na mesa e se espalha para todos os lados, depois é limpo com um pano úmido que deixa resquícios onde esteve presente.

Sem delongas, defino como um ano positivo. Em pouco tempo assumindo esta postura tenho obtido resultados nunca antes superados por mim. É de superação que nossas vidas são feitas. Não falo como um autor de auto-ajuda.
Acredito que podemos colocar nosso nome no momento em que somos interrogados sobre qual estilo seguimos, seja ele qual for. Com isto, teremos a quem agradar e desagradar. Não é nada mais do que normal, é cotidiano.

Se o mundo é feito de entendimentos e desentendimentos, encontros e desencontros, fatalidades e planejamento; como conseguir ser estável? Nem meu batimento cardíaco é assim.
Tenho dúvidas se um dia conseguirei atingir um grau pleno de satisfação pessoal, quem sabe um dia? Talvez o que eu busque seja impossível, não sei, prefiro saber tentando fazer, parando de falar tanto.

Bom natal pra todo mundo e um ano novo que seja novo.

FÉRIAS.

muito interessante este blog:
http://www.reidacocadapreta.com.br

Bob Marley, é um homem além dos tempos. Através de suas canções o mundo conheceu um ícone insubstituível e insuperável no gênero reggae.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O buracão

Acessório para as segundas feiras

---------------------------------------------------------------------------


No que antes era um buraco de longa quilometragem que percorria quase toda a extensão das costas de São Mateus, famoso por seu nome "Buracão". Hoje estão construindo um parque de proporções grandiosas.
Desde que nasci estou acostumado a ver obras de proporções faraônicas. Pra quem vive no Brasil em desenvolvimento sabe do que falo. Prefeitos ambiciosos querendo auto-promoção.
Elas não são de todo ruim, esta, por exemplo: garantirá a diversão de crianças que antes só conviviam em vielas estreitas de violência contínua. Crianças que – como eu já fui – passaram por diversas experiências nem sonhada por um diplomata. Admiro os casos americanos, onde republicanos e democratas sempre fizeram revoluções. Pessoas simples, que conquistaram o mundo (é claro, hoje a figura mudou, não é mais o povo americano que é o queridinho do mundo).
Há muito tempo sonho com revoluções pacíficas, onde o poder do verbo é muito mais importante do que qualquer ato de falsa generosidade. Em uma ocasião discuti com um advogado formado. Isto seria comum se eu não estivesse com sete anos de idade. Claro que tomei bronca de todo mundo – com razão – enquanto aquele homem que nem lembro se estava certo ou errado, me olhava com desaprovação. Disto eu me lembro bem.
Aprendi com a professora Silsa boa parte da minha base estudantil. Ela parecia ter uma filosofia linda sobre a vida. Alertava-nos contra as manobras do estado. Isto em 1989, enquanto nos preparávamos para a democracia que veio com outra ditadura: “a do desenvolvimento a qualquer custo”. Estes custos se voltaram contra nós. Até hoje pagamos caro o capricho de nossos “líderes” que a mim nunca inspiraram em nada. Nem mesmo Lula com seu discurso fervoroso me agradava, muito menos o do Mauricinho do Fernando Collor de Mello. Serei sincero ao dizer que não deixei de me emocionar por assistir a posse de Lula. Mesmo sabendo que tudo ali não passava de um filme encenado por todas as camadas sociais, cada uma com sua opinião estarrecedoramente paradoxal.
Retornando ao parque, cujo nome ainda não tem e provavelmente será de algum parente do Kassab. Neste local, havia antigamente o que chamávamos de “desova de corpos”. Vários foram os assassinados que tocaram o solo de um lugar meio que maldito. Percorrer em suas entranhas a noite era o mesmo que pedir pra sofrer algum tipo de atentado.
Junto com um mar de gente serei enormemente privilegiado com estas obras que olho com brilho. Pra mim, estão construindo um santuário, em memória de tanto sofrimento visto no local, que prejudicou tantos seres humanos.
Ouço por vezes: “antigamente as coisas não eram assim”. Realmente não eram. Antigamente teriam corpos espalhados no bairro (São Mateus). O ensino poderia ser mais qualificado, mas ninguém tinha acesso. Tanto é que, minha mãe é formada no segundo grau e meu pai parou na quarta série. Antigamente as coisas eram tão melhores que eles (meus pais) dormiram na fila para conseguirem vaga pra mim em uma escola podre.
Não posso, nem devo fazer críticas sobre o presente tentando compará-lo ao passado. Pelo menos pra mim, as coisas são muito melhores. Temos conduções pra todos os lados da cidade, temos mais vagas em escolas e hospitais (óbvio que ainda falta), estamos mais ricos, isto ninguém pode negar.
Agora, o que anseio, independe do que estão construindo. Na realidade depende apenas de quem usará estes benefícios. Não adianta construir parques para vândalos e ignorantes destruírem, depois até isto colocarão a culpa no estado, sendo que, quem destruiu um patrimônio público foram eles. Tive o mesmo acesso a informação que outros tantos tiveram, ninguém pode usar o argumento “periferia” como pano de fundo da própria burrice. Espero que os moradores tenham consciência e preservem este novo patrimônio público.

-----------------------------------------------------------------------------





Assisti um show deles no Stúdio SP. Boa performance. Eles têm muito futuro, pois são originais. A maior parte do repertório é inglês, não tenho nada contra, mas prefiro bandas brasileiras cantando em português. A letra desta canção é interessante, tem um tom verdadeiro.